Aquela cativa: o motivo da escrava estrangeira entre Ausónio e Camões

Autores/as

  • Matteo Rei Dipartimento di Lingue e Letterature Straniere e Culture Moderne, Università di Torino

DOI:

https://doi.org/10.13135/1594-378X/12827

Resumen

O tema do servitium amoris, já presente nos versos de Tibulo, Propércio e Ovídio, alude à completa sujeição e subordinação do poeta à mulher amada. É na segunda metade do século IV que o poeta romano Ausónio dá a este motivo uma viragem inesperada e paradoxal, identificando a figura canónica da domina elegíaca na jovem escrava germânica Bissula, recebida como presente do imperador Valentiniano. No breve cancioneiro amoroso dedicado à moça sueva evidencia-se, desta maneira, o tópico da beleza invulgar e estrangeira, bem como o da inversão, possibilitada pela paixão amorosa, nas relações de domínio entre senhor e escrava.

Nesta obra de Ausónio, poeta imitado e traduzido por autores quinhentistas portugueses como António Ferreira e Pero de Andrade Caminha, podemos identificar, assim, um interessante termo de comparação para as famosas endechas camonianas dedicadas a uma “cativa com quem andava de amores na Índia, chamada Bárbora”. Com efeito, Camões destabiliza e subverte neste poema, de forma análoga, os estereótipos da poesia amorosa do seu tempo, criando um retrato feminino em que, como assinala Rita Marnoto, “o cânone petrarquista é chamado à ribalta para ser posto em causa” (2007: 92).

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Publicado

2026-02-26

Número

Sección

Monografico 25.2. Camões al centro. Testi, contesti, traduzioni. Nel quinto centenario della nascita di Luís de Camões (1524?-1579?). Coord. Valeria Tocco e Sofia Morabito